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Cinco Miligramas de Misantropia

40 Anos de Metal: A Saga Épica da Cogumelo Records

40 Anos de Metal: A Saga Épica da Cogumelo Records

Nem sei por onde começar a falar deste catálogo que é um mergulho na história da maior gravadora de metal / rock nacional: é a nossa Metal Blade. E isso foi um elogio e não um demérito ao trabalho fantástico que a Cogumelo faz pelo Metal Nacional. Tanto a Metal Blade quanto a Cogumelo foram as responsáveis pela descoberta e propagação de ícones do Thrash Metal: Metallica e Sepultura.

Focando na Cogumelo, imaginem o impacto que seria para o mundo do Thrash Metal, se a Pat e o João Eduardo, fundadores da loja e na sequência da gravadora apenas tivessem se concentrado no ofício de vender discos, e não tivessem a sensibilidade artística de enxergar naqueles jovens de Belo Horizonte um potencial artístico? Tenta imaginar o impacto disso!

Será que todo o fã de Metal aqui no Brasil tem a dimensão do trabalho e da importância da Cogumelo?
Eles simplesmente lançaram bandas das quais eu sou absurdamente fã: Overdose, Sárcofago, The Mist, Drowned, Chakal, DFC e Sepultura!

Os 40 anos da Cogumelo Records

O livro é dividido focando, obviamente, os 40 anos da gravadora, com os lançamentos das décadas de 80, 90, 2000 e 2010.
Os anos 80 ficaram marcados para a Cogumelo como “Os anos de Metal”, E claro que também contam sobre a chegada do Sepultura e do Overdose ao cast do selo.

Vale destacar neste capítulo uma observação importante do João Eduardo, que explica o sucesso da cena mineira em três fatores: O investimento da Pat fundando a Cogumelo, o potencial e a criatividade das bandas de BH e a criação do JG Studio.
E a Cogumelo começou muito bem com o split Sepultura – Bestial Devastation com a Overdose – Século XX lançado em 1985. Na sequência veio Morbid Visions do Sepultura. As coletaneas Warfare Noise I e II, apresentaram as bandas: Chakal, Sárcofago, Multilator, Holocausto, Witchhammer, Mayhem, Megatrash e Aamonhammer.

Algumas das bandas dessa coletânea conseguiram seus álbuns independentes lançados pelo selo e figuram muito bem no cenário nacional. O Sarcófago foi além e inspirou muito o underground Black Metal europeu.
E desse ponto em diante a história se desenrola apresentando os lançamentos da década de oitenta onde a Cogumelo navegou muito bem entre o Thrash, Death, Black, Punk e Hardcore.

Já a década de 90 parece que deixou um gosto amargo na Cogumelo e ficou marcado no livro como “Os Anos da Queda”. O cenário grunge no início dos anos 90, a substituição do vinil pelo CD e as quedas nas vendas dos LPs no final dos anos 90 foram trágicos para os pequenos selos undergrounds.

Mas a resistência das bandas de Thrash, Death e Black Metal mantiveram o mercado vivo.

Pessoalmente o que posso destacar dessa década com mais propriedade são as bandas que eu comecei a acompanhar e consumir, como o Overdose com o fabuloso “Addicted to Reality” e “Circus of Death”, “Sexual Carnage” do SexTrash, o Sárcofago com “The Laws of Scourge” e “Hate”, Attomica com “Disturbing the Noise”, Dorsal Atlantica, Calvary Death, The Mist com “The Hangman Tree”, Cirrhosis, Siecrist, PUS e DFC.

Nos anos 90 a Cogumelo ainda conseguiu mais uma vez a proeza de fazer despontar para o mercado bandas como Pato Fu e Tianastácia.

Nos anos 2000, o capítulo do livro intitulado “O Metal Sobrevive”, João Eduardo nos contempla com uma visão mais positiva do mercado e do cenário. Comenta as novas apostas do selo em sangue novo no cenário underground como Drowned e Thespian. Como nem tudo são flores, as quedas bruscas nas vendas dos cds foram compensadas com mais datas de shows nas agendas das bandas.

E nos anos 2000 eu já estava produzindo conteúdo para a internet com o Metal Zone e resenhei os primeiros lançamentos do Thespian, banda que adora, vi o surgimento do Drowned e resenhei os primeiros discos da banda, sem contar outras excelentes bandas que pude resenhar como: Perpetual Dusk, Absolute Disgrace, o excelente “Whats Going on Your Mind” do Siecrist, o Cirrhosis com o fantástico “Alcoholic Death Noise” e o “Drinks From Hell”.

Mas como nem tudo são flores, o capítulo que abrange os anos de 2010 até 2020, já diz que as coisas não ficaram bem por tanto tempo: crise econômica mundial, empobrecimento da população e a pandemia, fecharam a última década com pessimismo. Mas a luta e a perseverança em quem acredita no estilo falou mais forte e a Cogumelo se adaptava sempre aos novos cenários.

Entre as bandas da última década que me chamaram a atenção estão: Hammurabi, Doomsday Ceremony, Scourge, Nervochaos e Hatefulmurder.

Memórias

Fechando o catálogo temos o capítulo “Memórias” onde a Pat rasga o coração e mergulha fundo no oceano das memórias para nos presentear com a bela história da Cogumelo.
E um dos pontos altos desse capítulo foi sobre a criação do logo da Cogumelo, uma história pitoresca e ligada ao Heavy Metal, de alguma forma.
A história da Cogumelo, umas das gravadoras com o cast mais maldito da história do Metal, nasceu de uma linda história de amor, amizade e com uma famlia muito unida e esperançosa.

Jornalista Filipe Souza - Cinco Miligramas de Misantropia

Filipe Souza

Editor / Jornalista Responsável

MTB32471/RJ

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📀Colecionador de LPs, CDs, Livros e histórias;
🤘 Ah! E metaleiro;
🃏Jogo uns tarôs de Crowley;
– Jornalista, designer e Workaholic;
– Produtor de conteúdo e apresentador do canal Cinco Miligramas de Misantropia;
– Amo cozinhar e degustar cervejinha artesanal;

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