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Cinco Miligramas de Misantropia

Som da Liberdade – Um filme pobre, cheio de gatilhos mentais, ufanista e levemente evanjegue!

Som da Liberdade - Um filme pobre, cheio de gatilhos mentais, ufanista e levemente evanjegue!

Se você assistir “Sound of Freedom” somente como mais um blockbuster, realmente vai achar que é apenas um filminho de Supercine. Um filme com uma mensagem contundente e atual. Mas não!
Comentando com uma amiga jornalista sobre o filme “Sound of Freedom” e o quanto ele é “normal”, ela me beliscou para aprofundar mais sobre quem está por trás disso tudo. E foi aí que meu pesadelo começou!
Em uma breve pesquisa eu já vi que o filme é apoiado por Donald Trump e Elon Musk. Descobri que o personagem principal, Tim Balard foi acusado de assédio sexual e afastado da ONG que ele criou para resgatar pessoas do Tráfico Humano internacional.
O ator principal de “Sound of Freedom” é ninguém menos que Jim Caviezel, aquele que fez o Jesus Cristo like a Raining Blood da versão do Mel Gibson.
E foi com esses parâmetros em mente que precisei mergulhar nessa história que levou a direita abilolada brasileira a abraçar o filme como um norte para toda a sociedade. Vai vendo….

Tráfico Humano

Sound of Freedom nada mais é do que um thriller “político/religioso” americano. Aqui no Brasil temos os equivalentes produzidos pela Record e pelo Brasil Paralelo: Cada um tem o Sound of Freedom que merece!
O tráfico humano e sexual é um problema? SIM! E dos maiores! Isso é fato.
Mas o filme não quer passar somente essa mensagem! Ele quer te usar como massa de manobra! Para injetar em você: teorias conspiratórias com base no QAnon.

Mas o que é o QAnon?

O QAnon é uma teoria da conspiração, disseminada principalmente pelos apoiadores do presidente Trump sob os nomes “A tempestade” e “O grande despertar”.
Esses são preceitos e vocabulários do QAnon, que estão intimamente relacionados aos conceitos religiosos de milenarismo e apocalipticismo – e foi caracterizada como “infundada” “transtornada”, e “sem evidências”.
Seus defensores foram chamados de “um culto à conspiração enlouquecido” e “alguns dos fãs mais extravagantes de Trump da Internet”.

Segundo Travis View, que estudou o fenômeno QAnon e escreveu sobre ele extensivamente para o The Washington Post, a essência dessa teoria conspiratória é a seguinte:
“Existe uma cabala mundial de pedófilos que adoram Satanás e que governam o mundo; essencialmente, eles controlam tudo.
Controlam os políticos e controlam a mídia. Controlam Hollywood e encobrem sua existência. E eles teriam continuado a governar o mundo, não fosse a eleição do presidente Donald Trump, que foi eleito para acabar com a cabala.
“A Tempestade” é um evento antecipado, no qual milhares de pessoas, membros da cabala, serão presas, possivelmente enviadas para a prisão da Baía de Guantánamo, ou enfrentarão tribunais militares, e os militares dos EUA assumirão brutalmente o país. O resultado será a salvação e uma utopia na terra.”
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/QAnon

Praticamente viveremos em uma capa da revista das Testemunhas de Jeová!

Não achem que o filme é uma simples e inocente campanha aguerrida contra o tráfico sexual. É sim uma mensagem religiosa e política colocando os seus adeptos como mártires da justiça e dos bons costumes. Nada muito diferente do jargão que vemos por aqui: Deus, pátria e família!
Só que no final das contas, tem marido que trai a esposa, pastor que pedófilo, empresário que sonega impostos e por aí vai….

Religião é política!

Sound of Freedom é um filme religioso de uma produtora minúscula e muitos de vocês comentarão: Ah, mas ninguém pode fazer nada que tem sempre alguém querendo criar jogadas políticas entre direita e esquerda. Não pode ser simplesmente um filme?
A resposta é não! Toda forma de arte, cultura pode e é usada muitas vezes para doutrinar e politizar. E segundo ponto: Religião é política!
Se você não consegue enxergar os sinais ou não quer enxergar, você talvez seja parte da massa de manobra daquela mídia. E se sente confortável com isso.
Lembre-se que mesmo que o filme “Som da Liberdade” tenha o seu discurso convincente contra o tráfico internacional de crianças, ele pode ser apenas um experimento social para algo muito maior.
Em uma rápida pesquisa pela internet você descobre que a maioria dos sequestradores de crianças estão ligados à própria família do menor. E o número absurdo de vítimas de sequestros são adolescentes. No filme usaram crianças para ser mais apelativo ao emocional do telespectador.

Momento teoria da conspiração

Você sabia que inicialmente o filme Sound of Freedom foi apresentado à Disney? Pelo menos o projeto, mas a gigante do entretenimento engavetou.
Ah, mas você deve pensar nesse momento: a Disney boicotou o filme porque ele trazia mensagens religiosas e contra a pedofilia! A Disney está conectada com toda essa Cabala Mundial Satanista e com a pedófila: – Por isso a Disney engavetou o projeto.
Não, meu querido! Ela engavetou porque tinha uma pá de outros filmes na frente: entre eles filmes da Marvel e Star Wars.
Mas a Disney é satanica e transforma todos os personagens em gays e negros!! A Disney é lacradora!! Por isso ela engavetou!! Continua você, meu querido adulto com mais de 40 anos que não se solta das amarras dos anos 80 e 90!

História real - Mas só até a página 2

Todo filme baseado em uma história real, mas como toda boa história, ela precisa de uma certa dose de liberdade criativa para que possa vender! E é assim que Sound of Freedom funciona.
O personagem principal, o agente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Tim Ballard é um arauto da justiça!
O ufanismo americano, que coloca os Estados Unidos como a polícia do mundo, tem momentos de puro suco de patriotismo, como quando o policial boliviano diz em tom de graça: – Esses gringos!
O policial diz isso quando Tim e o seu amigo Vampiro vão ao encontro dos sequestradores de uma das crianças.
Esse fato me lembrou de Independence Day, quando militares de algum dos países invadidos pelos Aliens disse: – Finalmente os americanos conseguiram uma solução.
Não lembro se foram exatamente essas palavras, mas foi nessa linha de pensamento, ou seja, os Estados Unidos são a solução do mundo.
O filme se resume em uma operação conduzida por Tim, onde ele praticamente sozinho consegue desmantelar uma quadrilha internacional de tráfico de crianças e ainda mata um chefão das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
O filme não passa de uma mistura de RAMBO com Busca Implacável.

Quem é Tim Ballard - O agente que deu origem ao filme Som da Liberdade

O filme “Sound of Freedom” (2023), estrelado por Jim Caviezel, é uma obra inspirada no trabalho de Timothy Ballard, um ativista americano que fundou a Operation Underground Railroad (OUR), uma organização anti-tráfico sexual.

A história do filme é baseada nas ações ousadas e corajosas de Ballard e sua equipe na luta contra o tráfico de pessoas. No entanto, a trajetória de Ballard também é marcada por controvérsias, incluindo sua saída da OUR em 2023 em meio a acusações de assédio sexual, manipulação espiritual, aliciamento e má conduta sexual. Isso gerou uma intensa discussão sobre seu legado e impacto no combate ao tráfico de seres humanos.

De acordo com o site do jornal Estadão:

“Sete mulheres relataram à Vice (revista americana que soltou a bomba) que Tim fez avanços indesejados, pedindo para que elas fingissem ser sua esposa em viagens ao exterior, para dormirem na mesma cama e tomarem banho com ele. Ele também teria enviado uma foto dele mesmo em sua roupa íntima para uma das mulheres, perguntando o que ela estava fazendo para salvar as crianças.”

Fonte: https://www.estadao.com.br/emais/gente/som-da-liberdade-homem-que-inspirou-filme-volta-a-ser-acusado-de-abuso-por-grupo-de-mulheres-nprec/

Vale ressaltar que Tim Ballard é um forte apoiador de Trump e membro da “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”.

De acordo com matéria publicada no site do Estadão no dia 28/09/2023:

“Em uma nova declaração divulgada pela advogada Suzette Rasmussen nesta quinta-feira, 28, as mulheres, que optaram por permanecer anônimas, expressaram seu compromisso com a luta contra o tráfico humano e alegaram ter sido submetidas a “assédio sexual, manipulação espiritual, aliciamento e má conduta sexual” enquanto trabalhavam na organização.”

A igreja em peso pra ver o filme

O filme “Som da Liberdade” tem atraído um público diversificado, incluindo caravanas religiosas e até mesmo grupos de policiais militares.

Segundo uma matéria publicada no Estadão, o longa, que se tornou o filme mais assistido do Brasil no último final de semana, registrou a presença de grupos religiosos que compareceram em massa aos cinemas, usando camisetas pretas e realizando orações cristãs durante a exibição. A igreja foi representada de forma expressiva, como mencionou um usuário no Twitter após a estreia.

Além disso, outro vídeo destacou a mobilização de policiais militares em Florianópolis, Santa Catarina (tinha que ser…), para assistir ao filme. A Polícia Militar, em parceria com o Shopping Villa Romana, levou todos os policiais do curso de formação de sargentos para prestigiar a estreia do longa-metragem.


Essa diversidade de público reflete a ampla repercussão e o apelo que “Som da Liberdade” tem exercido no Brasil, gerando discussões sobre suas temáticas e influências ideológicas, enquanto atrai a atenção de diferentes segmentos da sociedade.
Fonte: Estadão –
https://www.estadao.com.br/emais/som-da-liberdade-atrai-caravanas-religiosas-e-ate-de-pms-a-cinemas-veja-videos-nprec/

Distribuição gratuita de ingressos para o filme “O Som da Liberdade”

A distribuição gratuita de ingressos para o filme “Som da Liberdade” tem gerado polêmica e chamado a atenção do público no Brasil. De acordo com uma matéria do Estadão, a pequena produtora americana Angel Studios adotou uma abordagem incomum ao oferecer ingressos gratuitos para o longa-metragem.

Ao contrário das práticas convencionais, em que os ingressos gratuitos estão frequentemente vinculados à compra de produtos ou ações de marketing de marcas, a produtora permite que o público brasileiro reivindique um código para assistir ao filme sem nenhum custo, simplesmente acessando o site e fazendo a solicitação, com um limite de até dois ingressos por vez.

Essa iniciativa de distribuição gratuita de ingressos foi explicada pela Angel Studios como resultado de um gesto altruísta de uma pessoa não especificada, que antecipadamente pagou pelos ingressos para que o público pudesse desfrutar de “Som da Liberdade” nos cinemas sem nenhum custo. A prática de oferecer ingressos gratuitos sem qualquer obrigação tem sido considerada incomum, mas também foi descrita como uma ação em que “pessoas podem comprar ingressos para outras que não podem” e se assemelha a ações promocionais realizadas no exterior pela produtora. A polêmica em torno dessa estratégia de distribuição de ingressos adiciona uma camada de complexidade à recepção do filme no Brasil, gerando discussões sobre seu impacto e a dinâmica de sua promoção.
Fonte: Estadão –
https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/som-da-liberdade-produtora-distribui-ingressos-gratuitos-no-brasil-entenda-polemica-nprec/

Conclusão

É possível discordar ideologicamente de um filme e ainda assim reconhecer a qualidade da produção. Como é o caso de Sound of Freedom. É um filme que traz luz para problemas gravíssimos em nossa sociedade e a luta para salvar vidas inocentes de predadores: – Isso é um fato!

O trafico de pessoas, a pedofilia, o turismo sexual são dores reais na sociedade, mas não podem ser usados como ódio e nem instrumentalização política por religiões e pela extrema direita.
Ainda assim, não podemos ficar passivos do controle mental e psicológico que o filme pretende fazer.

Mas a pergunta que não quer calar: Se o filme “O Som da Liberdade” tem seus bastidores cheios de histórias mal contadas, mas a produção em si é muito boa, o que teremos pela frente?
Quais seriam os próximos passos da Angel?

Será que o “O Som da Liberdade” foi realmente apenas um experimento social?
Será que o “O Som da Liberdade” foi um “apito de cachorro”?

Jornalista Filipe Souza - Cinco Miligramas de Misantropia

Filipe Souza

Editor / Jornalista Responsável

MTB32471/RJ

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📀Colecionador de LPs, CDs, Livros e histórias;
🤘 Ah! E metaleiro;
🃏Jogo uns tarôs de Crowley;
– Jornalista, designer e Workaholic;
– Produtor de conteúdo e apresentador do canal Cinco Miligramas de Misantropia;
– Amo cozinhar e degustar cervejinha artesanal;

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