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Cinco Miligramas de Misantropia

Helloween

Biografia do Helloween

Algumas bandas são tão marcantes em nossas vidas, que mesmo após mais de trinta anos eu ainda consigo me lembrar perfeitamente quando ouvi Helloween pela primeira vez.
Eu estava em uma busca incessante por bandas parecidas com Iron Maiden e Judas Priest e um vizinho meu , o Luís Marcelo tinha uma coleção absurda de discos. Eu já havia gravado em fitas K7 todos os discos do Iron Maiden, pelo menos até o Fear Of The Dark, todos os discos do Judas Priest, diversos álbuns do Scorpions, Led Zeppelin, Dio, Ozzy e Black Sabbath, mas tinha um disco ali no meio da coleção dele que tinha uma capa divertida com umas abóboras e a banda em formato de cartoon. O álbum em questão era o Live in the U.K do Helloween, um disco ao vivo para celebrar o sucesso da banda com a turnê do Keeper of the Seven Keys Part I e II. Falaremos dele mais pra frente.

O Big 4 do Power Metal alemão

O Big 4 do Power Metal alemão

Sem sombra de dúvidas do Helloween faz parte do Big Four do power metal alemão do início dos anos 80 ao lado de nomes como Running Wild, Grave Digger e Rage. Entre eles o Helloween é o mais influente graças aos seus primeiros álbuns: Walls of Jericho de 1985 e os Keepers lançados em 1987 e 1988. Esses discos serviram de base para moldar o Speed Metal, Power Metal e o Metal Melódico por mais de trinta anos.


O início


Parece que o Helloween só decolou mesmo quando encontraram o nome certo para a banda, mas até isso acontecer o grupo passou por diversas mudanças desde a sua concepção em 1978. Além da troca habitual de músicos na banda, como é muito comum em bandas que estão começando, o grupo tentou também diversos nomes, já foram batizados de Gentry, Second Hell, Iron Fist e Power Fool, muito provavelmente não nessa ordem, mas o que se sabe é que em 1984 os quatro jovens da cidade de Hamburgo na Alemanha: Kai Hansen (guitarra/voz), Ingo Schwichtenberg (bateria), Michael Weikath (guitarra) e no baixo Markus Grosskopf se acertaram quando escolheram Helloween.

O Death Metal do Helloween


Em 1984 a banda foi chamada para participar da coletânea Death Metal organizada pela gravadora Noise. O Helloween participou junto com outros nomes de peso como Running Wild e Hellhammer. Participou também a banda alemã Dark Avenger.
O Helloween contribuiu com duas faixas: “Oernst Of Life” e “Metal Invaders”, o sucesso foi tanto que a gravadora Noise ofereceu a oportunidade que a banda precisava, a gravação do EP Helloween, com cinco faixas: Starlight, Murderer, Warrior, Victim of Fate e Cry for Freedom.
A banda sai em turnê com os compatriotas Grave Digger e Iron Angel. E entre setembro e outubro de 1985 já entram em estúdio para entregar um álbum completo, o fenomenal “Walls of Jericho”.

O inacreditável primeiro disco


Para quem ficou incrédulo com o potencial do Helloween com a coletânea Death Metal e o EP não imaginaria que a banda poderia se superar. E conseguiram feito com maestria.
O primeiro álbum completo, Wall of Jericho é perfeito do início ao fim. E mostra uma banda que enriquece o Speed/Power Metal com elementos que seria no futuro copiados por dezenas de outras bandas como os corinhos na músicas e passagens operísticas.
A capa do disco é uma arte de encher os olhos, graças ao trabalho do ilustrador Uwe Karczewski, que também foi responsável pelas capas do Keepers e de bandas como Iron Angel, Heavens Gate, Stormwarrior, entre outros. Infelizmente Uwe faleceu em 2021.
Para promover Walls of Jericho, o Helloween excursionou com Celtic Frost, Grave Digger e Running Wild. A banda chegou a tocar em Copenhagen com o King Diamond.

Desmentindo boatos: Ralf Scheepers nunca cantou no Helloween


Muitas biografias na internet dizem que o Ralf Scheepers cantou no Helloween entre os anos de 1986 e 87, na verdade isso não passa de boatos desmentidos pelo proprio Ralf em entrevista para o site Metal Rules (https://www.metal-rules.com/2007/12/31/primal-fear-ralf-scheepers/) em 2007.


Eu nunca cantei para o Helloween. Quando eu estava no Gamma Ray, quando eles tocavam na minha cidade natal, eu pulava no palco com eles e tocava “I Want Out” ou qualquer outra coisa. Mas eu nunca cantei para o Helloween. Eles me perguntaram, é claro, mas eu disse: “Não, quero ficar com meus amigos e minha cidade natal”. Eu era um cara jovem, claro, de 20 anos, e apenas disse: “Eu quero ficar”. Então, eu nunca cantei para o Helloween.

Em diversos textos pela internet e em fanzines da época citam a informação de que Ralf teria concluído parte da tour do Walls of Jericho no lugar de Kai Hansen, que não conseguia tocar guitarra e cantar ao mesmo tempo. Nesse período Ralf Scheepers era vocalista da banda Tyran Pace.

Um menino de 18 anos à frente do Helloween

Um menino de 18 anos à frente do Helloween


Como Kai Hansen estava com dificuldade de tocar guitarra e cantar, a banda recrutou o jovem Michael Kiske para o posto de vocalista. Com a entrada de Kiske a banda deu um salto estratosférico em sua jovem carreira.

A gênesis do Metal Melódico



Para muitos fãs e críticos de música, o Helloween pavimentou a estrada do que ficaria conhecido nos anos 90 como Metal Melódico, com o lançamento de dois discos fundamentais para a história do estilo: Keeper of the Seven Keys Part I e II lançados em 1987 e 1988.
Rico em passagens operísticas, duetos de solos de guitarra bem ao estilo Iron Maiden e Judas Priest e a qualidade vocal de MIchael Kiske fizeram do Helloween um gigante do estilo.
Para muitas pessoas na época o Helloween estava com tudo para se transformar no próximo Iron Maiden. E realmente estavam mais próximos do que podiam imaginar.

Fechando a fase Keepers

Para celebrar o sucesso dos dois Keepers o Halloween, agora gerenciado por ninguém menos do que Rod Smallwood, o “cara” por trás do Iron Maiden, lançou um disco ao vivo com sabor de quero mais: Live in the Uk.
Lançado em 1989, o disco registra algumas músicas das sete apresentações que os “cabeça de abóbora” fizeram em terras inglesas.
O disco traz uma banda bem humorada com diversas brincadeiras com o público e um Michael Kiske bem seguro como vocalista e frontman. Nos créditos do disco a banda agradece ao Iron Maiden, já que o Helloween abriu alguns shows da Donzela de Ferro.

O fim da era Keepers


O que parecia improvável aconteceu, alguns desentendimentos internos e histórias mal resolvidas culminaram na primeira baixa da banda: a saída de Kai Hansen. Um dos principais problemas era a troca de gravadora, a banda recebeu uma proposta da EMI

A queda

Para o lugar do Kai Hansen o Helloween recrutou Roland Grapow, que já foi guitarrista da banda Rampage e gravou dois discos: Victims of Rock (1981) e Love Lights Up The Night (1983).
E já com a banda na EMI o Helloween lança em 1989 o bem mais ou menos “Pink Bubbles Go Ape”, um disco que se salva apenas “Number One” e “The Chance”. E nem vou falar nada desse disco porque já quero chegar na próxima pisada de bola dos alemães.
Em 1993 o grupo vem com Chameleon. A começar pela criativa capa, já percebe-se que não vem grande coisa pela frente, desse trabalho salvam-se “Step Out Of Hell” e “I Believe”.
As tensões na banda ficaram cada vez piores, em particular com o lançamento em 1993 de Chameleon . Mas certamente o pior episódio aconteceu com o baterista Ingo Schwichtenberg, que tinha alguns problemas hereditários esquizofrênicos. Durante um show no Japão, ele caiu no chão e começou a chorar compulsivamente. Durante a turnê, ele costumava ficar muito deprimido, e isso foi agravado por momentos de euforia causados ​​​​pela cocaína.
Após a turnê, o Helloween relutantemente pediu a Ingo que deixasse a banda e se limpasse. Todo mundo sabe como essa história terminou: Ingo comete suicídio, pulando na frente do trem do metrô em sua cidade natal Hamburgo.


A saída da Michael Kiske

Em 1993 o vocalista Michael Kiske foi demitido da banda pelo guitarrista Weikath. Rumores e boatos inundaram a internet, muitos cogitaram que Kiske havia se entregado a uma religião e por isso se afastaria do Heavy Metal. Outros rumores versaram sobre desentendimentos do vocalista com o guitarrista Michael Weikath.

A volta por cima do Helloween

A volta por cima do Helloween


Já bem desacreditados pelo público e com o cartão vermelho da EMI, ninguém imaginava que o Helloween conseguiria dar a volta por cima.
E sem perder tempo a banda convoca o estupendo ex-baterista do Gamma Ray Uli Kusch, que havia gravado o álbum “Sigh no More” (1991) e o EP Heaven Can Wait.
E para o posto de vocalista uma fera do Hard Rock alemão: Andi Deris do Pink Cream 69.


Com as rachaduras do casco do navio consertadas, o Helloween não perde tempo e solta o magnífico “Master of the Rings” em 1994. Um disco com instrumental absurdo de bom, excelente trabalho de todos os membros da banda e o retorno do bom humor do grupo como em “Perfect Gentleman”.


Sem perder muito tempo, em 1996 o grupo já solta mais um trabalho de alto nível “Time Of The Oath” e o Helloween parte para uma turnê mundial ao lado do Iron Maiden. Essa tour passa pelo Brasil e os alemães tocam no Philips Monsters of Rock de 1996.
E mais um disco ao vivo é lançado para comemorar os bons ventos. E desta vez duplo: High Live lançado em 1996 traz todo um resumo da carreira da banda na voz de Andi Deris, que não faz feio ao cantar os clássicos da era Kiske e Hansen.
Fechando a década de 90 o Helloween lança em 1998 talvez o seu mais pesado disco “Better Than Raw”. E mais uma vez o grupo visita o Brasil para uma série de shows ao lado do Iron Maiden.
Eu queria mostrar o ingresso da tour aqui, mas o meu amigão do peito Luiz Fernando fez o favor de esquecer a carteira dele num balcão de lanchonete de beira de estrada na volta do show!
E para fechar a década de 90 e dar um descanso criativo para o grupo, a banda solta um disco de cover bem chato chamado “Metal Jukebox”.


Tem alguma coisa errada que não está certa


E para começar o novo milênio o Helloween lança o obscuro “The Dark Ride” em 2000, um disco bem pesado, mas com características diferentes do Helloween. Nesse momento o Brasil torna-se rota obrigatória dos shows da banda.
E a prova de algo estranho na banda foi a saída do baterista Uli Kusch e do guitarrista Roland Grapow.
Anos depois em uma entrevista ao canal Metal Blast, Andi Deris disse que a saída dos dois foi por motivo de traição. O guitarrista Roland Grapow foi dispensado do grupo por ter roubado a banda em um momento de dificuldades financeiras do Helloween.

Falta de inspiração e discos fracos


Depois do mediano “Rabbit Don’t Come Easy” lançado em 2003, o Helloween parece que só cumpriu tabela, lançando discos medianos e sem grandes inspirações.

Pumpkins United: a volta de Kiske e Kai Hansen

Pumpkins United: a volta de Kiske e Kai Hansen

Parecia um sonho quando essa notícia estourou! Não é possível! Com uma grande parcela da base de fãs do Helloween acima dos 40 anos, uma notícia dizendo que a banda faria uma tour comemorativa com os membros originais quase infartou metade do público deles.
Em 2017 o Helloween anunciou uma turnê gigantesca que incluía dois membros das formações clássicas da banda: o vocalista Michael Kiske e o guitarrista e vocalista Kai Hansen.
A turnê passou pelo Brasil com shows esgotados e contou com uma participação apoteótica do Helloween no Rock In Rio em 2019 substituindo o Megadeth de forma magistral.
E para comemorar essa turnê de reunião, o grupo lançou um disco ao vivo “United Alive” com um DVD triplo – A coisa mais linda desse mundo.

Continuem juntos – Por favor!

Fãs do mundo todo imploravam para que a banda continuasse junta nesse formato. Os shows e o DVD ao vivo foram provas cruciais que a fórmula tinha tudo para dar certo. E essa reunião deu tão certo que culminou no inesperado: um disco novo!
Em 2021 o Helloween, agora com sete membros, lança um álbum auto-intitulado com 12 músicas excelentes!
Nesse disco, os fãs são presenteados com duelos de vocalistas: Andi, Kiske e Hansen dividem muito bem os vocais das canções.
Depois de 35 anos de carreira, ninguém poderia imaginar que o Helloween ainda seria capaz de lançar mão de uma reviravolta criativa tão grande assim em sua carreira.

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